O meu Pai

mão de homem a agarrar na mão de um bebé
Imagem de Diana Polekhina por Unsplash

Foi há cerca de um ano que o meu pai partiu. Partiu como sempre viveu, sem inquietações nem desassossegos, olhando com ternura aqueles que sempre amou e por quem sempre deu o melhor de si mesmo. A família sempre foi o seu foco, o centro das suas atenções e a todos amou intensamente. Guardarei, para sempre, num cantinho especial do meu coração,  a ternura com que me olhava e o colo protetor sempre disponível para acolher.

Mas os anos galopam e, com eles, a certeza da nossa (i)mortalidade. É, então, que nos questionamos sobre o verdadeiro sentido da vida e a vida mais não é do que o amor: o amor que recebemos e o amor que damos. Mas o mais sublime de todos é, sem dúvida,  o amor de Deus, único e incondicional por mim, por ti, por todos, a tal ponto “…que entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê, não se perca, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16). 

Deus, não só nos ama com amor eterno, como também deseja que tenhamos uma vida plena de felicidade: “… Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10). Assim, para que a nossa vida seja completa, o nosso relacionamento com o Pai  tem de ser muito próximo, íntimo, perfeito. Contudo, pelo pecado, o homem afastou-se da Luz e, mais uma vez, o Senhor apresentou a resposta para esta separação: Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus imolado como “… vítima que expia os nossos pecados” (1 João 2:2). Mas Ele ressuscitou e está vivo no meio de nós! Representa a vitória sobre a morte, pois derrotou-a e continua a revelar-se como o Senhor das nossas vidas, realizando sinais e prodígios, tal como há dois mil anos.

A todo o momento, Cristo quer conduzir-nos ao Pai, mostrando-nos o “…Caminho, a Verdade e a Vida.” (João 14:6). Precisamos, apenas, abrir-Lhe o coração através de um arrependimento contrito, da escuta atenta da Sua Palavra, pondo-a em prática no amor a Deus e ao irmão, mas acima de tudo, recebendo Jesus na Eucaristia, onde Ele se faz presente. Se nos dispusermos a receber Cristo pela fé,  permitiremos que o Espírito Santo nos santifique e nos conduza em harmonia com o plano de Deus. O próprio Jesus afirma: “…Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei…” (Apocalipse 3: 20).

Perder o meu pai foi muito doloroso, mas acredito que ele está junto do Pai, na Sua Glória, olhando com o mesmo olhar de ternura, o mesmo carinho, o mesmo amor. Sei que não me deixou só,  pois o Pai do Céu nunca nos abandona; Ele sempre caminha ao lado dos seus filhos, que tanto ama.

Sei também que nos momentos mais difíceis, quando os ventos são contrários e os mares turbulentos, é o Senhor que agora me dá a mão, me acolhe no Seu colo protetor, entra na minha barca e me ajuda a fazer esta travessia, até ao dia em que O possa contemplar face a face, pois “Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido.” (1 Coríntios 13, 12).

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