Santa Faustina – A Apóstola da Divina Misericórdia

A 5 de outubro a igreja católica celebra o dia de Santa Faustina, uma freira polaca que é considerada pelos teólogos como pertencendo ao grupo dos notáveis místicos da igreja e que entregou a sua vida à Vontade Divina, para dar cumprimento à missão apostólica de dar a conhecer ao mundo a Divina Misericórdia.

Helena Kowalska nasceu em Lodz em 25 de agosto de 1905 e faleceu em Cracóvia, no dia 5 de outubro de 1935, com 33 anos de idade, vítima da tuberculose. 

É a terceira de dez irmãos e os seus pais eram humildes camponeses. A sua família era realmente muito pobre. Ela e suas irmãs tinham, por exemplo, apenas um bom vestido que tinham de revezar para ir às missas, cada uma assistia, portanto, a uma missa diferente.

A Santa Faustina só foi possível que completasse três anos de estudos, mas isso não foi impedimento para que cumprisse a missão que lhe estava destinada.
Desde pequena foi percetível a sua vocação religiosa e com 9 anos de idade fez a Primeira Comunhão. Com a finalidade de ajudar financeiramente a sua família, aos 16 anos, deixou a casa dos seus pais para começar a trabalhar como doméstica na casa de uns amigos da família. Aos 18 anos manifestou o desejo de ingressar num convento, mas os seus pais não o consentiram. 


Santa Faustina aos 18 anos de idade

Mas, o plano de Deus estava enunciado e Santa Faustina conta no seu diário como, aos 19 anos, após uma visão de Jesus coberto de chagas, em oração profunda, pediu ao Senhor, que lhe mostrasse o caminho a seguir, ao que escutou uma voz que lhe dizia:
Vá imediatamente a Varsóvia, lá entrarás em um convento”. (10°entrada do I caderno do Diário de Santa Faustina  – I, 10)
Na manhã seguinte, sem qualquer preparo para a viagem e sem permissão dos pais, Santa Faustina partiu com essa intenção no seu coração.

Em Varsóvia, tentou ingressar em vários conventos mas foi constantemente recusada por não ter dinheiro nem estudos. Depois de várias semanas a procurar, a Madre Superiora do convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia decidiu dar-lhe a oportunidade com a condição de que pagasse a sua entrada. Santa Faustina arranjou então trabalho como doméstica e durante um ano depositou os seus salários na conta do convento até perfazer o montante necessário. 

Finalmente, a 30 de abril de 1926, aos 20 anos, ingressou no convento adotando o nome de Maria Faustina do Santíssimo Sacramento. O nome Faustina, deriva do latim faustu, significa feliz, afortunada.

Devido à pouca escolaridade, os seus deveres dentro da ordem consistiram em atividades relacionadas à cozinha, limpeza e jardinagem.
Em abril de 1928 fez votos temporários como freira e no ano seguinte foi enviada a um convento de Vilnius, Lituânia, onde também trabalhou como cozinheira. Foi nesse local que mais tarde, em 1933, fez os seus votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência e que o seu caminho se cruzou com o Padre Michał Sopoćko. O recém-nomeado confessor das freiras do convento e professor de teologia na Universidade de Vilnius, tornou-se seu confessor e apoiou a sua missão. Mas esta confiança só deu frutos depois de Santa Faustina ser submetida a uma avaliação psiquiátrica completa pela Dra. Helena Maciejewska, à que foi declarada completamente sã. 

Em fevereiro de 1931, Santa Faustina teve a primeira revelação de Jesus enquanto Rei da Divina Misericórdia. No seu diário relata assim: “(…) Jesus disse-me: Pinta uma imagem conforme a visão que te aparece, com a inscrição: «Jesus, eu confio em Ti».” (I, 47) e “Eu prometo que a alma que venerar esta imagem não se perderá. Prometo ainda mais, a vitória sobre os inimigos já aqui na Terra, e especialmente à hora da morte. Eu mesmo defenderei essa alma como a Minha própria glória.” (I, 48)

Jesus confiou-lhe, através de numerosas visões, entre 1926 e 1938, a sua mensagem de misericórdia.
Santa Faustina descobria e era desta forma instruída na sua missão de entregar ao mundo, através dos seus carismas, a grandeza da Misericórdia de Deus. 

Deus também concedeu a Santa Faustina revelações, visões do purgatório e do inferno com mensagens para todos nós, para a salvação das nossas almas e também a abençoou com a possibilidade de visitar o Céu.  Santa Faustina proclama assim: “E Deus deu-me a conhecer uma única coisa que, a Seus olhos, tem infinito valor, que é o amor a Deus; amor, amor e mais uma vez amor – e nada se pode comparar a um só acto de puro amor a Deus.” (II, 778)

Graças ao Padre Sopoćko que a aconselhou a escrever um diário para que registrasse as mensagens que recebia e conversas que tinha com Jesus, Santa Faustina pela descrição das suas vivências místicas deixou-nos um verdadeiro legado de amor e confiança em Deus e dava os primeiros passos para o caminho que lhe estava destinado e que a consagrou para sempre como a Apóstola da Divina Misericórdia:

 “Então, ouvi uma voz: Apóstola da Minha Misericórdia, proclama a todo o Mundo esta insondável Misericórdia. (…) Minha filha, sê diligente em anotar cada frase que te dirijo sobre a Minha Misericórdia, porque se destinam a um grande número de almas que delas tirarão proveito.” (III, 1142)

Foi também o Padre Sopoćko que em janeiro de 1934 a apresentou ao artista plástico Eugene Kazimierowski, que era também professor na Universidade de Vilnius, para que realizasse a pintura do quadro sobre a imagem da Divina Misericórdia. Esta seria a única imagem da Divina Misericórdia que Faustina conheceria. O quadro foi finalizado em junho de 1934. 

Santa Faustina, a “Apóstola da Divina Misericórdia”,  foi beatificada a 18 de abril de 1993 pelo Papa São João Paulo II. A canonização aconteceu sete anos depois, em 30 de abril de 2000, pelas mãos do mesmo Papa, que também conseguiu a instituição da Festa da Divina Misericórdia.

De todo este legado deixado por Santa Faustina surgiu a devoção à Divina Misericórdia, que muitos hoje anunciam e recorrem em benefício assumido de que Jesus é a misericórdia e que esta é a última tábua de salvação, à qual acedemos pela confiança. 

Esta devoção é constituída pela mensagem da Divina Misericórdia, a Coroa da Divina Misericórdia, a imagem da Divina Misericórdia e a Festa da Divina Misericórdia.

Santa Faustina, rogai por nós!

Principais fontes de consulta:

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