fotografia de família

Viver a Fé em Família – Seja o que Deus quiser

Antes de mais, somos seres individuais, com experiências que, tenham sido elas coletivas ou individuais, nos marcam de forma individual e ajudam a formar a nossa personalidade, o nosso ethos.

Na nossa personalidade temos tatuadas várias características que nos fazem mais sociais ou fechados, mais sérios ou menos sérios e mais crentes ou não crentes. A boa notícia é que algumas características que definem a nossa personalidade vão mudando, especialmente, através de novas experiências que nos vão moldando como se fossemos um pedaço de plasticina, mais seco ou mais mole.

As experiências fazem-nos evoluir, ajudam-nos a atingir maturidade. O casamento é uma dessas experiências. 

O próprio casamento é um ato de fé, depositado na pessoa que escolhemos para a nossa vida, mas também uma fé assente em nós mesmos, que nos faz ter a ideia de que as dificuldades são para superar apenas graças à capacidade de cada elemento do casal. Esta fé é definida por uma perspetiva individual, que foi forjada nas experiências vividas no pré-casamento e que nos pode criar alguns dissabores ao longo da vida futura.

Quando depositamos a fé apenas em nós e noutros a nós semelhantes, estamos a cimentar laços, mas ao mesmo tempo, podemos cair na armadilha de criar frustrações quando as coisas não correspondem ao esperado. 

Da armadilha pode sair frustração assumida e consciente – levando a separações e conflitos – ou a ilusões de procuras de satisfação em momentos de prazer que depressa se desfazem numa mão cheia de nada. 

Na verdade, nem a sociedade é auto-suficiente quanto mais um casal. 

Somos feitos à imagem de Deus, mas não somos Deus. Temos que ter consciência de que por melhor ou pior que sejamos, temos sempre que contar com Deus. Precisamos Dele nas nossas vidas.

É fácil esquecer isso, e muitas das vezes apenas nos lembramos em momentos menos bons. A fé individual tem dessas coisas. Uma possível solução, é procurar não só depositar fé na pessoa que nos acompanha na vida, como em quem sempre nos acompanhou e acompanhará: Deus. 

Certo de que temos que acreditar também em nós mesmos, até porque temos dons que devemos usar para vencer na vida, mas ninguém vence sozinho, nem os dons são nossos, mas sim propriedade de Deus, que nos foi emprestada para que possamos fazer uso – o não aproveitamento desses mesmos dons, pode ser uma falha de ingratidão para com o Espírito Santo. 

Se Deus é a verdadeira fonte de Amor, Deus tem que fazer parte da vida de um casal. Uma família sem amor, não é verdadeiramente uma família. 

Se uma família precisa de amor, então, deve entender claramente que precisa abraçar a ideia de que Deus tem que estar presente para que possam ir bebendo da sua fonte que vai gerar amor de forma constante e abundante.

Certo de que cada elemento de um casal pode ter uma caminhada de fé diferente, mas para que não se percam na caminhada, convém que façam uso dos mapas que Deus nos dá (Bíblia, Sacramentos, Igreja, etc), desta forma conseguem superar melhor algumas adversidades e as que não superam, aguentam-nas de forma mais firme, sabendo que a mão de Deus está ali para os proteger.

Apesar de Deus poder ser o farol que orienta, nem tudo é fácil na vida de casal, mesmo quando têm a sua fé bem definida. A correria do dia-a-dia nem sempre ajuda a ter a melhor das paciências entre marido e mulher. O cansaço e as rotinas também não ajudam. Os filhos tendem a achar mais piada ao que é imediato em detrimento do sagrado ou mesmo do correto, o que pode criar afrontas e chatices. Por vezes a falta de saúde, dinheiro, paciência, descanso e tempo podem acabar por desgastar.

Como resolver o problema acima? Com muito amor e paciência, tanto amor, que temos que pedir ajuda à fonte do amor. Falar, escutar e rezar em casal são formas de intimidade que podem também ajudar a superar momentos menos bons.

Uma história verídica:

Certo casal casou-se e viveu uns anos sem filhos. Ele não queria ter filhos, achava a vida demasiado complicada para se ter filhos e dedicar tempo aos mesmos.

Um dia percebeu que a sua perspetiva era egoísta (até porque sabia que ela queria ter filhos) e, não se sabe bem porque, mudou de ideias. Falou com a esposa e resolveram que queriam ter um filho. 

Ficaram ambos contentes pela mudança de pensamento, mas em poucos meses, essa alegria inicial foi desaparecendo. Não havia forma da esposa ficar grávida. Meses passaram e, passado sensivelmente um ano e meio, começaram a fazer testes de fertilidade, tanto ele como ela.

Os resultados dos testes foram maus: tanto ela, como ele, supostamente eram quase inférteis e a probabilidade de terem filhos de forma natural era quase nula. 

Algum choro, mágoa e frustração tomaram conta deste casal. Ele ficou a pensar no facto de andar tanto ano a não querer filhos e agora não conseguir sequer ser pai por opção. 

Após uma conversa em casal, e da partilha das mágoas, chegaram à conclusão (e a frase usada foi literalmente esta) de que “Seja o que Deus quiser”. Passado um mês e pouco dessa conversa, ela estava grávida. 

No dia 8 de dezembro de 2010, à hora de almoço, estava uma menina a nascer, cheia de saúde e vitalidade.

Passados dois anos, o mesmo casal decidiu que ia ter mais um filho. Comentaram que se demorasse tanto como a filha para ser gerada e nascida, seria um projeto para durar anos. Um mês passou e a esposa estava grávida. 

A primeira notícia é que o casal somos nós. A segunda notícia é que há muitas fórmulas incompletas para a vida em família correr bem, mas quando assentamos a nossa fé em Deus e praticamos o “Seja o que Deus quiser”, tem tudo para correr bem.


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