Eutanásia, qual o valor da vida para ti?

Quem decide quando uma vida já não tem valor? 

Eu? Alguém por mim?

Não sabem que não pertencem cada um a si mesmo, mas que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que receberam de Deus e que habita no vosso interior?

1 Coríntios 6:19

Um tema difícil, doloroso até, que irá ser debatido, novamente, na Assembleia da República: a aprovação da eutanásia. 

Primeiro, deveríamos entender o que é e o que se pretende.

A eutanásia é o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa, sendo, por norma, realizada por um profissional de saúde a pedido expresso da pessoa doente.

A nossa liberdade? Ou ofensa contra Aquele que nos criou?

Ambas sabemos que, independentemente do que cada um de nós pense sobre o assunto agora, poderemos pensar de forma diferente quando nos depararmos com a situação num contexto deveras real. Seja como for, este é um assunto que mexe connosco. 

Pela nossa experiência, quando um dos nossos familiares, ou as pessoas que amamos e que nos são próximas e importantes para a nossa vida estão doentes, o nosso coração dispara e passa a bater a mil à hora. Nesse momento, qualquer um de nós, mesmo que não acredite em Deus, ou não saiba rezar, no desespero pede que Ele cure, que ajude a pessoa que amamos. Meu Deus, são situações tão difíceis em qualquer família….

Quando amamos, seja os nossos pais, irmãos, avós, filhos, tios, sogros ou qualquer outra pessoa que nos seja próxima, queremos o melhor para eles e desejamos que fiquem ao nosso lado o máximo de tempo possível. 

O que fazer e pensar quando, infelizmente, não há cura para a doença, ou quando passamos a observar quem amamos num longo estado de sofrimento?

O que nós sentimos ou pensamos nesse momento, imaginamos, em nada será igual ao que a própria pessoa está a passar. Apesar disto, a eutanásia é uma não solução e, aquilo que implica, aflige e sufoca só de pensar. Se queremos tão bem a uma pessoa, como podemos pensar em aceitar a eutanásia? Como podemos aceitar que um médico concorde em tirar a vida a pedido de alguém que está desesperado, que está num aparente beco sem saída? 

Poderemos determinar o fim de uma vida? Poderemos considerar este pedido? É legítimo? É um pedido de ajuda? É desespero, o medo que grita por ajuda? 

A Santa Sé refere a vida humana como um “dom sagrado e inviolável”.

Parece-nos que o que se pensa criar é uma linha e quem a passar, passa a ser descartável, terá menos valor, passa a ser um peso…

Nos dias em que vivemos tudo parece ser algo descartável e demasiado efémero, mas não podemos, de maneira alguma, considerar da mesma forma a vida humana.

A eutanásia não é a solução para os problemas causados pela aproximação do fim; a falta de cuidado, de acompanhamento humano, ou com humanidade, é a questão com que maior parte das pessoas se deparam hoje em dia e são estas as questões que deveriam ser “tratadas”. A pessoa não é, nem se deve sentir, um peso. Cabe a cada um de nós mudar, com caridade, esta perspetiva ou sentimento da pessoa doente ou mais idosa, não nos podemos desresponsabilizar, não podemos ser Pilatos nos nossos dias.

Acreditamos em Deus, na vida e na ciência. 

Não devemos aceitar que se banalize assim o direito à vida, ao apoio, a que cuidem de nós. 

Acreditamos que a ciência deve concentrar os seus esforços nos processos de cura, as unidades de saúde devem melhorar as condições dos cuidados paliativos e os familiares cuidadores devem sê-lo com o merecido apoio para que possam, qualitativamente, providenciar cuidados dignos. A solução é encontrar formas mais eficazes de garantir a qualidade de vida em qualquer momento da vida humana.

A vida é um dom, um dom que nos é dado, só Deus tem o poder de dar a vida e de a tirar. 

Uma sociedade que pretende assumir o papel de Deus ultrapassa limites sérios e preocupantes no caminho do egoísmo, do egocentrismo e da perda de direitos humanos fundamentais. Não há vidas com menos valor que outras, não há matar por compaixão. Tirar a vida de alguém é matar, é uma forma de homicídio, independentemente do método usado. 

Partilhamos uma oração de Santo Inácio de Loyola para refletirmos:

Tomai, Senhor e recebei toda a minha liberdade e a minha memória também.
O meu entendimento e toda a minha vontade,
tudo o que tenho e possuo vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes, com gratidão vos devolvo.
Disponde deles Senhor, segundo a vossa vontade.
Dai-me somente o vosso amor, vossa graça.
Isto me basta, nada mais quero pedir.

Imagem de Noah Buscher no Unsplash


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