Para as mulheres que também são pais

Imagem de Nathan Dumlao no Unsplash

Hoje é dia de S. José, dia do pai, um dia muito especial. A figura do pai é a figura de fortaleza que temos na nossa família, o nosso herói quando somos pequenas e aquele que nos transmite segurança.  S. José foi um homem com um bom coração, que aceitou esta missão tão importante de ser pai de Jesus com todo o amor que tinha. Foi este pai terreno, o melhor que Jesus poderia ter tido.

Neste dia, gostaríamos de recordar o papel tão importante, especial e difícil, das mulheres que, infelizmente, por alguma contrariedade da vida, também têm o papel de ser o pai no dia-a-dia dos seus filhos.

Não sentem que este é um papel esquecido na nossa sociedade, quase como ignorado? O percurso ”normal” da vida é casar, ter filhos, formar uma família feliz e daí continuarem juntos até ao fim dos seus dias. E as mulheres que, infelizmente, por alguma razão, viram desvanecida esta bonita história de amor e tiveram de criar sozinhas os seus filhos? O percurso da nossa vida não nos pertence e não está sob o nosso controlo. Quantas histórias existem de mulheres que viram o seu companheiro morrer com uma doença “inglória e injusta”? Quantas mulheres viram o seu casamento desvanecer-se e terminar, sem o conseguirem salvar? Quantas mulheres ficaram com um filho nos braços, cujo pai se desresponsabilizou do seu papel e desapareceu?

Para todas estas mulheres, os nossos aplausos e orações.

Todos nós conhecemos mães que também são pais. E, se parássemos para olhar para elas com mais atenção? 

As mulheres que conheço que criam e educam os seus filhos sozinhas são umas autênticas guerreiras.  Elas trabalham, criam e educam os seus filhos, correm para os levar e buscar das suas atividades, passeiam, estão presentes em todos os momentos importantes das suas vidas, desdobram-se para que nada lhes falte e para conseguirem, de alguma maneira, compensar a falta que um pai faz nas suas vidas.

Quando olhamos para elas parecem-nos uma fortaleza, nada as abala, são confiantes, decididas e tomam o controlo deste barco, mantendo-o sempre na direção certa.

No outro dia, uma grande mulher dizia-me que tantas vezes chegava ao final do dia e chorava sozinha, depois dos filhos se deitarem, cansada, triste e sem forças… Com falta de um companheiro, de uma palavra de conforto, de ter com quem falar e desabafar, de ter ajuda na divisão das tarefas diárias. Dizia-me que este é um caminho difícil, muitas vezes de solidão, mas que a fé a tinha ajudado sempre a ganhar forças para levar o seu barco a bom porto.  Que admiração! Uma mulher linda, bem-disposta, que irradia luz e é bem-sucedida. Só Deus sabe o que vai no mais íntimo do seu coração, as suas alegrias, tristezas e dores.

Esta é uma missão diária, sozinha contar o dinheiro, fazer escolhas para conseguir dar tudo o que os filhos precisam, responder com elegância e amor às perguntas difíceis que os filhos colocam sobre os pais, o casamento dos pais, as doenças e todos os porquês …

Mulheres que estiveram sozinhas no momento do parto, que nunca tiveram ajuda para mudar uma fralda, que durante a noite não tinham quem dividisse com elas a hora de alimentar o bebé. Mulheres que apesar de casadas, os pais são uma figura ausente e distante, que não apoia ou ajuda. Mulheres que trabalham, cuidam, choram, riem, não dormem, que correm a meio da noite, sozinhas, para o hospital quando um filho está doente. Mulheres que sozinhas vão ao supermercado e carregam as compras, mais o ovo do bebé pelas escadas acima, enquanto as lágrimas correm pela cara abaixo.

Para todas estas mulheres, os nossos aplausos e orações.

Olhemos, hoje, para estas mães, que também são pais todos os dias, com admiração e com um olhar de carinho e conforto. Peçamos por estas mulheres, para que o nosso Pai do Céu, que nunca nos abandona, as possa abraçar e confortar quando mais necessitam, que lhes dê força, quando as suas forças faltarem, e colo, quando já não puderem andar.

Também cabe a nós, amigos e familiares que estamos à sua volta, podermos suportar e ajudar naquilo que há de mais simples e necessário, como um abraço, uma chamada para saber como estão, dar força nos momentos mais difíceis, fazer uma surpresa, ajudar nas urgências ou um simples convite para beber café e apanhar sol nos seus tempos livre. Gestos simples que demonstram amizade, amor e carinho. Cabe-nos a nós, fazermos a nossa parte e estarmos presentes para estas mulheres que tanto devemos admirar.

Que Maria, maior exemplo de mulher, de força e de coragem, as acompanhe e oiça as suas dores, as suas tristezas, que seja como um raio de luz nos seus corações, para que o seu exemplo alimente a alma destas mães que também são pais.


4 comentários

  1. Artigo mais intenso, profundo que nós deixa muito pra reflectir, está cheio de verdade, tristeza e alegria também
    Muito obrigada. Muita força pra todos os pais

  2. Um texto a quem eu poderia dar vários rostos, rostos familiares que todos os dias se cruzam e convivem comigo! Em alguns momentos, também me revejo aí…
    A todas as Mães que sabem ser Mães,
    A todos os Pais que sabem ser Pais,
    A todas as Mães que têm que ser Pais e a todos os Pais que têm que ser Mães,
    Que tenhamos sempre presente o Amor deDeus, nosso Pai e de Maria, nossa doce Mãe, para nós guiarem nesta desafiante tarefa que é criar um filho!

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